Mutango

Friday, August 14, 2009

‘Não fui apedreJado em Cabinda’ - Don Ângelo Besccio

Notícias - angola24horas
O núncio apostólico, Dom Ângelo besccio, esteve no país nos piores momentos e também nos mais felizes para os católicos.


D.Ângelo Besccio está de partida para Cuba, um país onde a Igreja tem ainda mais dificuldades. Nesta entrevista falamos da questão do preservativo, do aborto, das vocações e da sociedade dos nossos dias.


Senhor núncio, o senhor está de partida para Cuba, um país em que a política estatal cria problemas à Igreja. Espera encontrar um mundo de dificuldades ou acha que se está a abrir, em Cuba, uma era nova para o seu trabalho?


É um país que devo descobrir. Claro que temos notícias, que é um país que passa por um momento muito delicado na sua história, mas, por isso mesmo, é um momento também interessante para quem vá lá trabalhar. Também estou a ver esta perspectiva, na minha ida, como momento interessante. Mas para todos nós, padres, bispos e núncios, temos de nos empenhar para proclamar a boa nova, para pregar o evangelho e, assim, todos os países, com mais ou menos dificuldades, são sempre …


Mas Cuba há este problema de a própria política do Estado não ser favorável à Igreja


Sim, há uma situação delicada, mas tenho notícias de que as coisas estão a melhorar. Acho que temos de dar sempre o tempo justo para descobrir, para conhecer o que a Igreja proclama. Estas situações não são novas para a Igreja e, portanto, a paciência, a calma, o saber esperar .


As visitas a Angola de Raul Castro, Presidente de Cuba, e de Hillary Clinton, secretária de Estado americana, são vistas pelos analistas como estando a colocar Angola no centro de uma aproximação de Cuba com os Estados Unidos, como a ponte. É possível que esta transferência do núncio de Luanda para Havana também tenha alguma coisa a ver com esta nova facilidade de comunicação?


Não. É uma simples coincidência. O Santo Padre e os seus colaboradores decidem com outros critérios, além do que pode estar a acontecer num determinado país. Mas não deixa de ser simpático, engraçado, ver esta perspectiva. Para mim seria menos doloroso ir a Cuba sabendo que lá há uma boa comunidade de angolanos, que há uma boa relação entre Angola e Cuba, mas, apesar disso, essa minha nomeação é pura coincidência, não há qualquer relação.


Já tem lidado com os cubanos em Angola?


Não. Ainda não tive a possibilidade de encontrar ou conhecer cubanos cá. Porque ainda sou núncio em Angola, depois, com o tempo, empenhar-nos-emos em conhecer José Kalingue melhor os nossos amigos cubanos.


Vai para um país em que, teoricamente encontrará dificuldade, mas sai de um país em que as coisas também não lhe foram fáceis, estou a falar do caso de Cabinda. Está tudo superado?


Em todo o nosso serviço encontramos sempre dificuldades, não há um paraíso terrestre em nenhuma Nação. Claro que podem mudar a intensidade e a qualidade dos problemas, mas os problemas existem lá onde está o homem, lá onde está uma vida. Faz-me referência específica sobre Cabinda, está superado, está lá o bispo, a trabalhar, tentando superar algumas dificuldades e alguns obstáculos. Mas já me informou que as pessoas continuam a encher as igrejas. Não podemos esconder que existem ainda algumas dificuldades, mas estamos num período de reflexão, de diálogo, de esclarecimento de algumas posições. Para nós o que conta é que o bispo está na diocese e desenvolve o seu trabalho.


E a Igreja mantém-se unida?


A Igreja mantém-se unida. Quem não quer essa unidade? Mas o que é a Igreja? A Igreja é o bispo, os padres que lhe reconhecem autoridade e os fiéis que estão com o bispo. Não tivemos cismas mas tivemos problemas de alguns que tiveram dificuldades em aceitar a nomeação do bispo D. Vieira Dias. Agora há todo num caminho espiritual, pessoal, que devem fazer para aceitar esta nomeação.


Mas foi um sofrimento para o núncio, mesmo até na própria pele, no corpo, com muitas agressões verbais … havia ânimos muito alterados.


Posso entender os ânimos alterados, mas foram ânimos alterados de gente que não estava dentro da assembleia. Eu estive lá duas vezes para encontrar os padres, alguns leigos, foi um diálogo profundo, animado, mas com respeito. O relato das pedras que quiseram atirar ao bispo, eu não vi, ao núncio, eu não vi essas pedras. Falou-se de agressões ao núncio Parece que … quando saí de uma reunião parece …eu não vi, disseramme depois. Li num jornal que o núncio estava para ser apedrejado, eu não vi nada. Quero esclarecer este ponto que é quase uma lenda metropolitana. Houve agressão a outros bispos mas ao núncio … eu somente encontrei um grupinho de pessoas muito animadas, depois da reunião com os padres e leigos, com os quais, repito, foi um diálogo sereno, algumas vezes animado, mas foi um diálogo.


Já não há, portanto, problemas com os padres Congo e Tati?


São problemas que o bispo está num momento de diálogo e esclarecimento. Esperamos que tudo se esclareça e que se entenda qual deve ser o papel do bispo e dos padres. Quando o santo Padre nomeia um bispo ele á a autoridade que deve ser aceite e reconhecida.


ESTE PAPA NÃO VOLTARÁ A ANGOLA


E este país que está a sofrer grandes transformações mostra também manifestações de fé muito grandes, como o que se viu com a vinda do Papa … ultrapassou as expectativas do núncio?


Não só do núncio, acho que superou as de todos. Foram dias maravilhosos. Sim, superou as expectativas.


O que se viu foi o quê, uma manifestação de fé espontânea e momentânea, foi a demonstração do que a Igreja tem feito, ou o resultado da própria vivência da fé pelos angolanos?


Disse bem, uma manifestação da fé. É claro que foi uma manifestação da fé. A fé não se improvisa. É o fruto de um caminho, de um trabalho que a Igreja fez ao longo de muitos anos e de muitas gerações. O Papa teve a ocasião de reunir todos os cristãos, todos os católicos, mas não eram só católicos. Naquele momento muitos outros de outras confissões se uniram. Alguns disseram que o Papa é pai de todos, cristãos de outras confissões. Um embaixador islâmico disse-me o seguinte: o Papa vem para todos, não só para os católicos. Considerámo-lo o pai de toda a humanidade e, portanto, nós os muçulmanos também reconhecemos o Papa como um pai, um mensageiro da paz e estamos contentes que ele venha. Há este aspecto de o Papa ser o ponto de união, um ponto de reconhecimento da sua missão, no papel de homem de paz, homem de Deus. Mas é claro que, para os católicos, é o resultado de um caminho que vem de longe. A visita do Papa foi preparada com catequeses apropriadas em todas as dioceses, sobretudo em Luanda. Não foi um show momentâneo. Os resultados foram que o Papa, com os seus discursos, indicou um caminho que as comunidades das diferentes dioceses estão a estudar, a reflectir e a assimilar.


O Papa confessou-lhe alguma vontade de voltar a Angola?


O facto de ter vindo foi já muito. Temos de agradecer a Deus ter escolhido Angola, na sua idade, com a sua fraqueza … voltar a Angola é de excluir totalmente.


Está excluída essa possibilidade?


Sim. Este Papa não, não é possível, já foi muito.


Tem notícias do que resultou da visita em termos de nova postura dos fiéis na Igreja e fora dela, do eventual aumento do número de fiéis … o que é que ficou?


Tenho notícias que me chegam de todos os bispos, não só em Luanda mas em toda Angola, porque nas outras dioceses seguiram a visita pela televisão (e a televisão fez um trabalho maravilhoso, louvável). Os bispos dizem que sentem a mudança. Já há gente que recuperou a coragem da própria fé, gente que estava indecisa se deveria continuar ou não, gente que estava a ir às seitas e que encontrou força e coragem para manter-se fiel à Igreja. Lembremonos que imediatamente após a visita do Papa chegou a Páscoa, dizem os bispos que nunca tinham visto as igrejas tão cheias como nesta Páscoa. São sinais indirectos de como a presença do Papa foi uma bênção, foi um encorajamento a todos os católicos para a recuperação do sentido e valores da própria fé.


Como vê estas manifestações de fé, por um lado e o facto de alguns destes fiéis, na sua condição de funcionários públicos, por exemplo, adoptarem atitudes menos cristãs no seu dia-a-dia?


Sabemos o que disse o Papa e que palavras utilizou. Foi simples, gentil, mas também rigoroso, convidando os católicos e todos os angolanos a respeitar as leis e alguns comportamentos. Ele falou contra a corrupção. Mas quando vou a uma repartição pública, eu não sei se o funcionário é ou não católico, não lhe posso pedir um documento que ateste a sua fé. Na Igreja, dizem-no os bispos e pregam-no os padres os primeiros a combater a corrupção, não corrompendo e não explorando os outros, devem ser os católicos e os cristãos em geral. É uma campanha em que nós, católicos, temos de combater. Nisso temos de ser severos. Nas nossas escolas católicas há uma severidade e um rigor enormes. Se se sabe de professores que tenham cedido à corrupção, estes são imediatamente dispensados. Temos de manter isso. Se há católicos que aceitam a gasosa, ou que provoquem a gasosa, eles comprometem a coerência da própria fé, devem reconhecer que não são fiéis à própria mensagem evangélica. Sobretudo os que exigem a gasosa, porque roubam ao Estado e provocam injustiças, sobretudo contra os pobres, porque são os pobres, sobretudo, que depois não conseguem a satisfação dos seus próprios direitos, porque os pobres não têm dinheiro para conseguir a satisfação dos direitos que lhes cabem como cidadãos. O Papa falou contra a corrupção mas não esperamos que as coisas mudem de imediato, como um automatismo. É uma mensagem que deve cair no coração dos homens e para os católicos deve ser imediatamente aceite.


Trabalhou com bispos e padres angolanos que são também produtos desta sociedade, isso criou-lhe algum problema particular? Há alguma particularidade?


Foi uma experiência muito positiva, devo confessar. Fiquei admirado com o trabalho que os bispos, os padres e as madres fazem aqui. Eles não têm condições fáceis, do ponto de vista económico e logístico como na Europa, mas apesar disso eles trabalham e têm paixão pelo Evangelho e, portanto, não posso dizer que tenha encontrado dificuldades, pelo contrário, mantenho esta impressão positiva da Igreja de Angola que trabalhou muito durante a guerra, não fugiu, ficou com o povo nas povoações e agora, em paz, está a viver um momento histórico, podendo dar uma fisionomia própria à Igreja de Angola. A Igreja de Angola está nas mãos dos angolanos …


A Guerra fez mais religiosos?


A Igreja teve essa ocasião, em que os angolanos tiveram a oportunidade de assumir a responsabilidade da própria Igreja, a Igreja não podia ficar sempre nas mãos dos missionários


A guerra teve o efeito de fazer subir o número de religiosos angolanos apagando, quase, a expressão MISSÃO, no sentido de vir gente de fora evangelizar. A guerra teve este efeito de remeter as pessoas à fé ou alguns se terão entregado à Igreja para se afastarem dos horrores da guerra?


Devemos pensar que mesmo nas situações negativas pode emergir sempre algo de positivo. A Igreja teve essa ocasião, em que os angolanos tiveram a oportunidade de assumir a responsabilidade da própria Igreja, a Igreja não podia ficar sempre nas mãos dos missionários. A guerra deu essa ocasião. Aumentou o número de padres e de madres, mas é um fenómeno que pode acontecer em qualquer parte do mundo, sobretudo quando a pessoa está em situações difíceis, quando medita sobre a precariedade da vida, aí fazem-se contas sobre os valores da vida. São momentos providenciais para fazer um balanço perante Deus, alguns escolhem Deus como o ideal nas suas vidas. Nos países pensa-se que se pode desvalorizar Deus, onde há pobreza se está mais próximo de Deus, não porque Deus seja o “ópio do povo”, mas porque com dinheiro e com riqueza pode haver a ilusão de que a vida consiste nisso mesmo. Na precariedade fazem-se contas melhores sobre a própria vida. No caso específico de Angola, vejo o aspecto positivo de que durante a guerra foi mais fácil examinar os valores mais importantes da vida. Se alguém se refugiou simplesmente na Igreja, sem vocação, foi um erro, não vale a pena, porque depois vai pagar as consequências. Prefiro pensar que se tratou de balanços feitos sobre a própria vida, em momentos difíceis que provocam decisões mais concretas e mais corajosas.






Admite que em paz e com desenvolvimento o número de vocações em Angola possa descer?


Pode acontecer … e pode ajudar a elevação da qualidade das pessoas que querem ser padres ou ordenadas. Essa escolha não se baseia em motivações sociais, se se quer ganhar dinheiro, ter bom emprego e uma boa posição social não se precisa de ser padre. Portanto a escolha para ser padre será mais autêntica e mais sincera, e mais benéfica para a pessoa, para a Igreja e para a sociedade.


SOCIEDADE ANGOLANA NÃO ESTÁ PERDIDA


Estamos numa sociedade em que não se olham a meios para se acumular dinheiro, há uma corrida louca pelo dinheiro em que se atropela tudo, pelo contacto que tem com outros núncios e bispos, isso é uma tendência geral ou em Angola estamos a exagerar um bocadinho?


Angola é um caso particular em África, tem um crescimento económico que é único no mundo. Toda a gente quer dinheiro, em todos os cantos da terra, e pelo dinheiro muita gente está disposta a fazer qualquer estupidez, mesmo a cometer delitos, crimes. Mas é claro que aqui há este desejo de se ter dinheiro de qualquer modo, a corrupção, os roubos, a delinquência … quantas notícias tristes estamos sempre a ouvir? Gente que não quer trabalhar … mas como Igreja devemos manter a consciência de que a nossa função vai contra a corrente.


Todos os dias surgem-nos notícias de violações de crianças e mulheres, assassínios … há quem diga que estamos perto do fim do mundo, está tudo perdido?


Não. É claro que as notícias negativas fazem sempre mais barulho que o muito do bem que existe na sociedade angolana. Diz-se que numa floresta há milhares de árvores que crescem sem fazer barulho, uma árvore que caia faz um barulho enorme. Acho que mesmo em Angola há milhares de árvores que crescem silenciosas, que fazem o bem, que respeitam as leis. Por outro lado, é claro que este crescimento da delinquência deve preocupar-nos, mas não é um padrão social, não é tão grave como em certos países, mesmo em África. O papel da Igreja, da família e da escola é o de ensinar aos jovens que o dinheiro não é tudo e que deve ser ganho


Sobre o dinheiro, há um outro factor: as seitas. A sua proliferação e os seus efeitos sociais, como a indução para que as pessoas façam coisas negativas preocupam o Vaticano?


Sim, o Vaticano e os bispos estão preocupados. Mas temos de distinguir umas seitas de outras. Há umas que fizeram coisas graves, crimes. Mas, apesar, disso não são a maioria, são um pequeno grupo, as seitas que fizeram coisas inomináveis. O fenómeno das seitas preocupa, mas não porque a Igreja esteja a perder a sua importância e fiéis, como se diz. A Igreja Católica existe há dois mil anos, viveu dificuldades enormes, perseguições, etc., mas desde há dois mil anos esteve sempre presente e estará sempre presente. O que nos preocupa é o facto de muita gente, sobretudo os jovens, estarem a perder tempo andando em seitas, porque buscam algo que as seitas não podem dar. Certas seitas apresentam milagres, fideísmo fáceis. Mas quando estes jovens desenvolverem o espírito crítico, perceberão que isso não é a resposta que procuram.


Não advirá isso de uma certa dificuldade de comunicação da igreja católica? Os jovens querem as coisas já e agora, tudo rápido, a Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, garante milagres todos os dias, com horários e tudo.


Isso é muito delicado. Claro que a Igreja Católica não pode concorrer nestes terrenos com as seitas, não podemos. Pela seriedade e pela fidelidade a Jesus Cristo. Jesus Cristo não veio para fazer milagres em todos os momentos, em cada esquina. Ele veio como modelo de vida e como resposta às exigências pessoais e existenciais de cada um de nós. É claro que este fenómeno pode provocar problemas para a Igreja, em saber se deve corrigir a maneira de apresentar a mensagem a maneira de acolher os fieis, de transformar as assembleias litúrgicas em assembleias mais familiares, de maior fraternidade, aumentar o sentido da caridade, preocuparmo-nos com todos os fiéis que vão às igrejas … criar autênticas comunidades. É possível, esses desafios podem colocar-nos algumas interrogações sobre o nosso tipo de pastoral e sobre a mensagem que estamos a transmitir, mas nunca poderemos concorrer com os métodos das seitas. Seria trair a mensagem de Jesus Cristo e trair a honestidade da nossa identidade e, mesmo, trair as expectativas do povo, não podemos.


Além da concorrência das seitas há, na televisão, rádios, cinema e revistas, muitos apelos aos jovens para o sexo fácil e ao luxo. Além desses apelos, os jovens encontram, na vida diária, pessoas que vivem assim, modelos. Isso tem como consequência, ao apelo do sexismo, por exemplo, o aborto. A Igreja continua contra o aborto e contra o preservativo. Estará a mensagem da Igreja a ser mal entendida pelos jovens?


A Igreja ainda não encontrou a forma mais correcta de falar com os jovens? Esperamos ter a melhor maneira de transmitir a mensagem. A nossa mensagem é uma mensagem de vida, não de morte. O aborto é morte, não podemos suportar ou difundir essa prática. O aborto é uma tragédia para a mulher, é matar. O que podemos fazer? Sobre o aborto não há discussão, a Igreja será sempre contra. Mas antes de se apresentar a Igreja como qualquer coisa que está sempre contra, é preciso perceber que a mensagem da Igreja é uma mensagem positiva, de dizer aos jovens que se querem viver uma vida positiva têm essa mensagem. E a mensagem que passamos é: tu precisas de viver com dignidade a tua vida, e podes vivê-la descobrindo Jesus Cristo como resposta para as exigências e, sobretudo, como mensagem de amor. Um amor verdadeiro, não o amor usado como palavra desprovida de sentido. Porque ir com uma rapariga e depois outra e outra, o tal sexismo de que falou, não é viver uma vida, é destruir a vida. E claro que as consequências são o aborto, o destroçar da família, o que chamamos de cultura da morte. Eu quero a cultura da vida, e a cultura da vida é construir uma verdadeira família onde a tua mulher e os teus filhos podem ser felizes, e não para depois te virem a esquecer ou falar mal de ti, porque não foste fiel à tua mulher, ou porque utilizaste tantas raparigas sem respeitar nenhuma delas, isso é egoísmo.


Mas também há quem defenda que se pode evitar o aborto utilizando métodos anticoncepcionais como o preservativo.


O preservativo é um problema complexo que não deve ser reduzido à questão do uso ou não uso. Antes de tudo, nós apresentamos a fé em Jesus Cristo. Quando falamos em utilização do preservativo eu quero falar aos católicos, aos cristãos que decidiram viver segundo o Evangelho, a vida de Jesus Cristo. Não posso impor a utilização ou não do preservativo a quem não acredita no Evangelho, a quem não acredita na Igreja. Nisso temos de ser claros. O Papa fala, sobretudo, para os crentes. Mesmo do ponto de vista racional, o uso ou não do preservativo pode ser contrário à expressão profunda do amor, numa relação entre um homem e uma mulher. Muitas vezes o uso do preservativo é uma maneira de instrumentalizar o parceiro, não é a expressão do respeito, o amor torna-se comercializável, muitas vezes não ajuda a viver de maneira profunda e intensa a relação entre duas pessoas. Para mim o princípio é: queres viver segundo Jesus Cristo? A via é esta, existe, e oferece-te este ideal de viver um caminho de amor, pureza e onde poderás viver verdadeiramente a sexualidade quando escolheres a tua mulher, aquela que será a tua companheira na tua vida. Falo aos cristãos católicos que queiram seguir esta via, aos outros não tenho autoridade para dizer nada sobre o uso do preservativo, porque o uso ou não do preservativo, como outros mandamentos cristãos, não é fruto da minha autoridade de Papa ou de bispo, é fruto da escolha que a pessoa faz de viver de maneira coerente, própria da vocação cristã.


Outra matéria em que a Igreja Católica é criticada tem a ver com a mulher. As mulheres católicas não podem ser sacerdotes, ao contrário do que acontece noutras igrejas cristãs, e isso é visto como uma desvalorização da mulher, apesar do seu cada vez maior papel social, apesar de ser mãe e companheira. Apesar de amar e de ser capaz de transmitir a mensagem positiva de Cristo.


Direi que essa acusação é um bocado forte e gratuita. Porque se há um lugar onde a mulher foi sempre defendida e protegida foi na Igreja. As nossas mães onde encontraram dignidade para serem mães e pessoas senão na igreja? Quando a Igreja fala contra a sexualidade fácil, não é uma maneira de proteger as mulheres? Porque no final as vítimas são sempre as mulheres, ou quase sempre, numa sexualidade desordenada, isso em termos gerais. Foi com Jesus Cristo, com a Igreja que as mulheres conquistaram a dignidade e, sobretudo, de serem defendidas da voracidade e da prepotência dos homens. Agora falando do sacerdócio das mulheres, a Igreja diz que não é possível, mas não é só a Católica, também a Ortodoxa. São as duas igrejas que mais defendem a tradição antiga da Igreja. Temos de entender que o Papa não é o dono da Igreja. Não pode fazer todas as leis e alterações como se fosse o dono, ele é o administrador da Igreja. O que devemos perguntar-nos, sobre assuntos que não são fáceis de resolver, é qual foi o pensamento de Jesus Cristo sobre a sua Igreja. O fundador da Igreja, o proprietário, é Jesus Cristo. Como Igreja, hoje, temos de perguntar como pensava Cristo sobre o sacerdócio das mulheres. Não encontramos nada, ele não disse nada, mas na prática, ele deu o sacramento do sacerdócio ao grupo dos doze apóstolos, doze homens. Depois, esta tradição foi sempre respeitada pela Igreja. Agora, dois mil anos depois mudamos tudo, assim de repente? A igreja Católica ainda não vê razão para mudar.


Mas a tradição não terá nascido do facto de naquela altura, as próprias condições sociais e culturais, imporem que as mulheres ficassem em casa com o marido ou com a família? Os apóstolos podiam caminhar, viajar … os homens estavam em vantagem para esta tarefa.


Há quem explique com a mentalidade cultural e social daquele tempo. Isso pode ter o seu peso, mas até agora, a igreja Católica, com os estudos que fez (o Papa João Paulo II estudou esta questão), com uma comissão teológica para estudar este aspecto, mas não emergiram razões suficientes para mudar essa tradição. Jesus Cristo foi continuador de tradições, mas, ao mesmo tempo, ele quebrou algumas tradições. Algumas mulheres seguiram Jesus Cristo, o que não era fácil naquela altura. Se ele queria mudar … ele foi de tal personalidade que lutou contra algumas tradições dos fariseus e dos hebreus. Se queria mudar poderia tê-lo feito, mas, embora este não seja um argumento, digamos final, o facto é que é tradição constante da Igreja, esta fidelidade do sacramento apenas para os homens.


No entanto, o celibato não é uma tradição com dois mil anos, é mais recente.


Nisto estamos de acordo, sim, o celibato não é uma lei divina, como pode ser o sacerdócio, o sacramento e a eucaristia, é uma lei da Igreja que em certo momento da história foi imposta aos padres pelas autoridades eclesiásticas. Se tu queres ser padre sabes que deverás observar a lei do celibato. Esta lei, um dia poderá ser revogada, para isso o Papa tem autoridade de o fazer.


Haverá a vantagem, se esta lei for revogada, de fazer crescer o número de cristãos, pelos filhos dos padres e das madres que, em princípio, seriam cristãos também …


Esta não seria uma razão …


Não?


Porque temos a prova nas outras confissões, Protestantes, Anglicanos, podem casar-se tranquilamente mas as igrejas estão vazias, muito mais do que as católicas. Isso não resolve o problema.


Qual é a grande vantagem do celibato, a possibilidade de partir e ir evangelizar sem ter a preocupação com a família que ficou, é estar mais entregue a Cristo que aos homens?


O ponto fundamental é esse que acabou de dizer. Um jovem que queira ser padre a Igreja pede-lhe a totalidade da sua vida. Quando se vai ser padre não se vai ser um funcionário. A Igreja, em primeiro lugar, a Igreja quer saber se estás pronto a dar toda a tua vida para Jesus Cristo, e toda a tua vida significa renunciar à tua vida pessoal, por amor a Jesus Cristo e por amor aos teus irmãos. É claro que para nós é uma experiência particular, uma experiência total de amor a Jesus Cristo que se deve sentir até que ponto Deus te pode encher o coração. Portanto, quase não precisas de outros amores. Entregas-te a Deus e comprometeste em entregar-te para os teus irmãos. Como você dizia, é estar totalmente disponível para Deus e para a Igreja e depois, é mais fácil que um padre mude de uma paróquia para outra, de um continente a outro. Claro que com família há mais dificuldades, embora se encontrem padres de outras igrejas, ou leigos cristãos, casados, que partem para missões com as próprias famílias, mas diminui a disponibilidade. Claro que isso é um problema, mas não é um factor sociológico, ou disciplinar organizativo de eficiência, o celibato. É sobretudo, uma escolha pelo desejo de viver uma experiência total e exclusiva de amor por Deus, este é o ponto basilar. E esta escolha deve ser feita antes de se ser padre, ninguém é obrigado a ser padre, mas se escolhes sabes que o teu futuro é este. Não é fácil, há dificuldades, mas a Igreja propõe as suas soluções, as suas ajudas espirituais, a maneira de viver em fraternidade com outros padres, o que ajuda a continuar a viver com o entusiasmo do primeiro dia do sacerdócio.


Ser padre é sobretudo um caminho de dificuldades, com sofrimento, sobretudo o dos outros, com dor, ou é em simultâneo, um caminho feliz?


Impressionam-me os padres com sessenta, setenta anos que dizem que se voltassem a nascer escolheriam de novo o sacerdócio para as suas vidas. Isso significa que é feliz, aos setenta, oitenta anos. Encontram-se dificuldade, mas é graças às dificuldades que se constrói a felicidade. Não é por não existirem dificuldades que se é feliz.


A verdadeira felicidade, não são alegrias momentâneas que desaparecem. Claro que quando alguém decide ser padre deve passar anos de reflexão, deve ser julgado pelos superiores do seminário, sem tem as atitudes psicológicas, humanas e intelectuais para ser padre. Se não houver problemas inicia a sua aventura onde encontra momentos felizes e momentos difíceis.


E há aqueles que desistem...


Nem sempre é fácil, e há os que não conseguem viver coerentemente e com fidelidade os próprios compromissos.


As desistências abalam a fé dos outros padres? Quando surgem notícias de religiosos que não foram fiéis, que não foram coerentes, que se envolveram em relações sexuais com jovens, que têm filhos …


Claro que é sempre um sofrimento, para nós, para os fiéis, para todos. Mas a sabedoria da Igreja diz que quando alguém não sente a força ou o desejo de continuar que deixe. É melhor que estar a sofrer sem viver dignamente o sacerdócio, portanto, a Igreja facilita a possibilidade de sair. Se me fala da pedofilia, essa coisa é terrível, isso não admitimos, é um delito, é crime. Está fora de discussão, não admitimos e esses padres devem imediatamente deixar o sacerdócio. Eles não são padres, para nós não são nem homens nem padres, isso não. A Igreja é misericordiosa mas é também rigorosa e quem comete estes crimes não devemos tolerar e devem deixar imediatamente o sacerdócio.


Para algumas pessoas o surgimento dessas notícias são a expressão da hipocrisia da Igreja, que prega uma coisa e, afinal, pode ter pedófilos e padres com filhos no seu seio, homens que não vivem consoante as leis da Igreja.


Os padres que fazem isso e que não têm coragem de dizer basta a este tipo de vida, ou se corrigem ou têm de tomar a decisão de sair. As pessoas podem errar na sua vida, mas ou se corrige ou toma a decisão de sair. Se há quem viva uma vida dupla, claro que isso é hipocrisia, mas não é hipocrisia da Igreja é dessa pessoa. A Igreja se o souber, chama a pessoa e ela deve decidir, estou a falar da fidelidade ao celibato. Para os pedófilos é uma outra questão, uma vez descoberto, esse padre deve, imediatamente, deixar o sacerdócio, essa é a linha da Santa Sé, do Vaticano e dos bispos, trata-se de um crime que a Igreja não tolera. Outra coisa é a infidelidade ao celibato de maneira, digamos “normal, regular”, com uma mulher. Aqui, este senhor ou se converte e muda totalmente de vida ou é convidado a deixar o sacerdócio.


A questão dos bens da Igreja, do Vaticano, nacionalizados pelo Estado como está, foram devolvidos? A questão das escolas, por exemplo.


Em primeiro lugar são os bens da Igreja de Angola, não do Vaticano, o Vaticano é um território pequeno, em Roma, não é proprietário dos bens em Angola. Preferimos dizer Santa Sé como organismo que representa os católicos no mundo. Claro que o administrador de todos os bens da Igreja, no final, o administrador universal é o Papa, mas estamos organizados de forma a que cada um na sua paróquia e diocese seja o administrador proprietário dos bens no país. O Estado já devolveu muitos bens que foram danificados durante a guerra, os que foram nacionalizados, seminários, escola, casas dos religiosos, mas os bispos dizem que ainda falta muito, é uma questão que, esperamos, venha a ser solucionada totalmente. Mas para já podemos assistir à vontade do Estado em devolver esses bens, nem sempre em boas condições, mas alguns, como o caso de Kalandula, o estado comprometese a restaurar ou a viabilizar a sua restauração. O Estado tem vindo a fazer a devolução, esperemos que complete a obra.


A Igreja e a Rádio Ecclésia vão continuar


Há um aspecto que vai deixar por resolver, sei que dirá que é assunto da Igreja Angolana, mas tem, também, a ver com a passagem da mensagem da bíblia, é o caso da Rádio Ecclésia. Está tudo parado?


Bem, a rádio está a transmitir a sua mensagem. Para a expansão ainda não temos autorização. Há uma lei de imprensa que ainda espera pela regulamentação executiva. Da nossa parte pedimos, inicialmente, e esperávamos, que fosse totalmente reintegrado o estatuto inicial da Rádio Ecclésia que contemplava a expansão a todo o território. Ainda não está, mas os cristãos têm uma arma, a arma da esperança. Eu parto mas os bispos estão aqui, virá outro núncio e imagino que isso será resolvido.


Não houve evolução nem com a medida do Papa


Até agora não.


Deixa-o triste essa situação?


Sim, mas para nós é normal, nós tentamos. Se conseguirmos tudo bem, mas a Igreja continua, tal como continuará a Rádio Ecclésia também, tenho essa esperança e imagino que mais tarde ou mais cedo a Ecclésia será ouvida em todo o território nacional.


Já conhece o nome do seu substituto em Angola?


Não. O nome será conhecido quando for publicado. Quando for indicado alguém o seu nome será publicado no jornal do Vaticano e todos ficaremos a saber.

José Kaliengue

Monday, August 10, 2009

Colui che mangia di me vivrà per me: XX domenica - Anno B


Prima lettura
Pr 9,1-6
Mangiate il mio pane, bevete il vino che vi ho preparato.

Dal libro dei Proverbi
La sapienza si è costruita la sua casa,
ha intagliato le sue sette colonne.
Ha ucciso il suo bestiame, ha preparato il suo vino
e ha imbandito la sua tavola.
Ha mandato le sue ancelle a proclamare
sui punti più alti della città:
«Chi è inesperto venga qui!».
A chi è privo di senno ella dice:
«Venite, mangiate il mio pane,
bevete il vino che io ho preparato.
Abbandonate l’inesperienza e vivrete,
andate diritti per la via dell’intelligenza».
Parola di Dio
 

Salmo responsoriale
Sal 33

Gustate e vedete com’è buono il Signore.
Benedirò il Signore in ogni tempo,
sulla mia bocca sempre la sua lode.
Io mi glorio nel Signore:
i poveri ascoltino e si rallegrino.
Temete il Signore, suoi santi:
nulla manca a coloro che lo temono.
I leoni sono miseri e affamati,
ma a chi cerca il Signore non manca alcun bene.
Venite, figli, ascoltatemi:
vi insegnerò il timore del Signore.
Chi è l’uomo che desidera la vita
e ama i giorni in cui vedere il bene?
Custodisci la lingua dal male,
le labbra da parole di menzogna.
Sta’ lontano dal male e fa’ il bene,
cerca e persegui la pace.
 

Seconda lettura
Ef 5,15-20
Sappiate comprendere qual è la volontà del Signore.

Dalla lettera di san Paolo apostolo agli Efesìni
Fratelli, fate molta attenzione al vostro modo di vivere, comportandovi non da stolti ma da saggi, facendo buon uso del tempo, perché i giorni sono cattivi. Non siate perciò sconsiderati, ma sappiate comprendere qual è la volontà del Signore.
E non ubriacatevi di vino, che fa perdere il controllo di sé; siate invece ricolmi dello Spirito, intrattenendovi fra voi con salmi, inni, canti ispirati, cantando e inneggiando al Signore con il vostro cuore, rendendo continuamente grazie per ogni cosa a Dio Padre, nel nome del Signore nostro Gesù Cristo.
Parola di Dio
 

Canto al Vangelo (Gv 6,56)
Alleluia, alleluia.
Chi mangia la mia carne e beve il mio sangue,
dice il Signore, rimane in me e io in lui.
Alleluia.
 

Vangelo
Gv 6,51-58
La mia carne è vero cibo e il mio sangue vera bevanda.

+ Dal Vangelo secondo Giovanni
In quel tempo, Gesù disse alla folla: «Io sono il pane vivo, disceso dal cielo. Se uno mangia di questo pane vivrà in eterno e il pane che io darò è la mia carne per la vita del mondo».
Allora i Giudei si misero a discutere aspramente fra loro: «Come può costui darci la sua carne da mangiare?».
Gesù disse loro: «In verità, in verità io vi dico: se non mangiate la carne del Figlio dell’uomo e non bevete il suo sangue, non avete in voi la vita. Chi mangia la mia carne e beve il mio sangue ha la vita eterna e io lo risusciterò nell’ultimo giorno. Perché la mia carne è vero cibo e il mio sangue vera bevanda.
Chi mangia la mia carne e beve il mio sangue rimane in me e io in lui. Come il Padre, che ha la vita, ha mandato me e io vivo per il Padre, così anche colui che mangia me vivrà per me.
Questo è il pane disceso dal cielo; non è come quello che mangiarono i padri e morirono. Chi mangia questo pane vivrà in eterno».
Parola del Signore
 


Commento

"Colui che mangia di me vivrà per me".

Non solo mangiare è necessario ma ciò che mangiamo rivela il nostro stato di salute.
Nell'antropologia cristiana Cristocentrica tutto è stato fatto in vista di Lui, cioè in vista del figlio.
Pertanto non solo Gesù sceglie il gesto del mangiare e dell'assimilazione per parlare della realtà trascendente della "cristificazione" dell'uomo.. ma potremmo dire che questi gesti biologici sono stati creati in vista di una realtà di comunione radicale e profonda che Dio in Cristo voleva annunciarci e regalarci.

L'accusa di antropofagia fatta ai primi cristiani dai pagani è frutto della durezza di cuore dell'uomo dopo il peccato e anche del veleno scimmiottatore di satana che disordina la mente, il cuore e la storia dell'uomo.
In principio però non era così.

I simboli naturali, anche biologici sono stati donati all'uomo per significare una realtà più grande di comunione ed intimità con Dio.
Così il mangiare, il respirare, la sessualità, il rapporto con il creato, il rapporto con se stessi, ecc.. tutte le dimensioni dell'uomo sono state create per la vita, la fecondità in vista del bene più grande e compiuto della trasfigurazione in Cristo.

L'Eucarestia non è solo realtà e dono reale di Cristo nell'apparenza delle specie del pane e del vino ma il luogo, la "dimora" in cui Cristo vuole rendersi "più intimo dell'intimità stessa" con noi e con ciascuno di noi.
Proprio per questo l'Eucarestia non può non trasformare. Proprio per questo i suoi ascoltatori, poveri di intimità pura e scevra di concupiscenza, non comprendono.

L'esempio simbolico fornito da alcuni "santi" che si sono nutriti per un lungo periodo di sola Eucarestia la dice lunga in proposito.
Una sola è la cosa di cui c'è veramente bisogno: Cristo e l'intimità con Lui, il resto, pur importante sia nella sfera biologica, relazionale, psichica è figura, pre-figurazione, caparra di questa intimità perfetta a cui ogni uomo è chiamato.

Forse sarebbe il caso di rivalutare il silenzio durante l'Eucarestia nelle nostre celebrazioni, almeno di tanto in tanto.
Infatti nel chiasso di alcuni canti fatti perché si "devono" fare si è persa anche la dimensione della coralità ed è rimasta solo la dimensione della superficialità e del "supermercato eucaristico"..
che certo è ben lontano da quel cammino di trasfigurazione personale e comunitario a cui siamo chiamati in Gesù Eucarestia.

Il silenzio davanti all'Eucarestia non nasce dunque dall'incapacità di potere o saper dire qualcosa ma dalla ricchezza del cuore che non trova parole adatte se non l'adorazione e la lode profonda a colui che tutto si è donato, affinché noi potessimo vivere per Lui e per i fratelli.
 

Francesca