Nós, vossos Bispos, reunidos em Assembleia Plenária , logo após a visita do Santo Padre Bento XVI a Angola, dirigimo-vos uma cordial saudação e a todos enviamos a nossa bênção como penhor das graças celestes.
1. VISITA DO SANTO PADRE BENTO XVI
2. De 20 a 23 de Março, tivemos o Papa Bento XVI entre nós.
Por isso, nesta nossa Mensagem, desejamos dizer a Sua Santidade que nos visitou: “Santo Padre, muito obrigado! Obrigado por terdes vindo até nós! Obrigado pelos vossos gestos de carinho! Obrigado pelas vossas palavras de ânimo!”
De facto, Sua Santidade manifestou, por Angola em particular e pela África em geral, uma atenção singular e deixou-nos uma mensagem que perdurará muito tempo nos nossos corações. As suas primeiras palavras ao aterrar no aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, manifestam bem o que acabamos de dizer: “piso o solo desta nobre e jovem Nação no âmbito duma visita pastoral, que, no meu espírito, tem por horizonte o continente africano. Saibam que no meu coração e oração, tenho presente a África em geral e o povo de Angola em particular”. E afirma, cheio de convicção: “uma missão comum nos está confiada: construirmos, juntos, uma sociedade mais livre, mais pacífica e mais solidária”. Ao mesmo tempo, manifesta a sua solicitude paternal, solidarizando-se com as vítimas das cheias do Kunene e apelando à reconstrução, com a ajuda de todos.
3. No encontro havido com o Sr. Presidente da República, autoridades políticas e religiosas e membros do corpo diplomático, afirma:
Chegou o tempo da esperança para África! Armados de um coração íntegro, magnânimo e compassivo, podeis transformar este continente… guiando o vosso povo pela senda dos princípios de uma democracia civil moderna: o respeito e promoção dos direitos humanos, um governo transparente, uma magistratura independente, uma comunicação social livre, uma administração pública honesta, uma rede de escolas e de hospitais que funcionem de modo adequado, e a firme determinação de acabar de vez com a corrupção”.
4. Aos Bispos da Ceast, anuncia-lhes a criação da nova Diocese do Namibe e escolha do seu primeiro Bispo, na pessoa de D. Mateus Feliciano Tomás, e anima-os a que continuem a apostar na evangelização no terreno da cultura e valorizando os meios de comunicação social; que continuem a erguer a voz em defesa da sacralidade da vida humana e do valor da instituição matrimonial e a acompanhar de perto os sacerdotes, ajudando-os a viver o seu ministério presbiteral como verdadeiro caminho de santidade”.
5. Aos Bispos, presbíteros, consagrados/as, seminaristas, catequistas e demais agentes de pastoral, reunidos na solene Eucaristia na Igreja de São Paulo, onde também concelebraram os Bispos de IMBISA e outros, deixa o apelo a sermos uma Igreja cada vez mais missionária, colocando diante de nós o exemplo de São Paulo para quem foi fundamental o “seu encontro com Jesus, no caminho de Damasco”. E denuncia os perigos de crenças supersticiosas: “Hoje cabe-vos a vós, irmãos e irmãs, oferecer Cristo ressuscitado aos vossos compatriotas. Muitos deles vivem no temor dos espíritos, dos poderes nefastos de que se crêem ameaçados; desnorteados, chegam a condenar meninos e até os mais velhos, porque – dizem – são feiticeiros. Quem pode ir ter com eles para lhes anunciar que Cristo venceu a morte e todos estes poderes obscuros?”
6. No Estádio dos Coqueiros, lança aos jovens o desafio de optarem sempre por Cristo, sem medo de assumirem “decisões definidefinitivas, porque são as únicas que não destroem a liberdade”. Diz-lhes: “A vida só pode valer a pena se tiverdes a coragem da aventura, a confiança de que o Senhor nunca vos deixará sozinhos”.
7. Na grande concelebração eucarística, na Esplanada da Cimangola, na paróquia do Bom Pastor, Diocese de Caxito e onde se reuniu mais de um milhão de pessoas vindas das várias regiões de Angola, afirma que veio “a África proclamar uma mensagem de perdão, de esperança e de uma vida nova em Cristo”. E acrescenta:“Deus chama-nos a ser mensageiros do amor misericordioso no meio das nossas famílias e comunidades, na escola e no lugar do trabalho, em todo o sector da vida social e política. Que as paróquias se tornem comunidades onde a luz da verdade de Deus e a força do amor reconciliador de Cristo não sejam apenas celebradas, mas manifestadas em obras concretas de caridade”.
8. No encontro com os movimentos católicos para a promoção da mulher, na Igreja de Santo António, proclama que “a mulher é um outro «eu» na comum humanidade. Há que reconhecer, afirmar e defender a igual dignidade do homem e da mulher: ambos são pessoas. Ambos são chamados a viver em profunda comunhão. No entanto, o reconhecimento do papel público das mulheres não deve diminuir a função insubstituível que têm no interior da família. A presença materna no seio da família é tão importante para a estabilidade e o crescimento desta célula fundamental da sociedade, que deveria ser reconhecida, louvada e apoiada de todos os modos possíveis. E, pelo mesmo motivo, a sociedade deve chamar os maridos e pais às próprias responsabilidades para com a família.”
9. Na sua despedida de Angola, agradece o acolhimento recebido e insiste que optemos decisivamente pelo caminho da solidariedade, dando uma atenção especial aos mais necessitados. As suas últimas palavras ainda ecoam nos nossos ouvidos:“Irmãos e amigos de África, queridos angolanos, coragem! Não vos canseis de fazerprogredir a paz, cumprindo gestos de perdão e trabalhando pela reconciliação nacional, para que jamais prevaleça a violência sobre o diálogo, o medo e o desânimo sobre a confiança, o rancor sobre o amor fraterno.”
10. Foram momentos de profunda e sentida comunhão entre nós e com Aquele que, na terra, é o Vigário de Cristo. O Papa é, na verdade, o Vigário de Cristo porque sucessor do apóstolo Pedro a quem o Senhor disse: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18) e ainda: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo. 21, 27). Pertence, por isso, à mais antiga tradição da Igreja católica, desde os Santos Padres, a famosa declaração: “Onde está Pedro, aí está a Igreja de Cristo”!
11. Foi, pois, irmãos e irmãs, com essa fé que recebemos entre nós o Papa e escutámos, de coração aberto, a sua palavra de Pai e de Pastor. Mas não basta termos ouvido, é preciso que todos nós ponhamos as suas palavras em prática: jovens e adultos, casados e solteiros, consagrados no sacerdócio ou vida religiosa. Todos e cada um no seu estado de vida ficámos confirmados na nossa fé em Cristo; na caridade que ama a Deus acima de tudo e os irmãos, sem distinção alguma; e na esperança, que não engana porque está fundamentada em promessas divinas. Resta‑nos formular o nosso bom propósito, confiados na graça do Senhor para o cumprirmos fiel e generosamente. Aceitemos sobretudo o desafio de continuarmos a trabalhar, com todas as nossas forças, para fazer de Angola um país de paz, reconciliado e onde a solidariedade seja cada vez mais vivida, animados com a certeza de que cada comportamento humano recto é esperança em acção” (Papa na Presidência da República).
Expressamos aqui o nosso público agradecimento às autoridades angolanas, nomeadamente ao Sr. Presidente da República, e a todos quantos estiveram envolvidos na preparação e concretização desta visita, pelo feliz êxito de tão significativo evento.
2. SÍNODO ESPECIAL PARA ÁFRICA
12. Outro acontecimento de grande relevo e de reconhecida importância para nós é o próximo Sínodo especial para África, convocado pelo Sumo Pontífice para se realizar, em Roma, no próximo mês de Outubro. Na sua visita a África, Bento XVI quis tornar público o Instrumentum Laboris desta magna Assembleia, pedindo que rezássemos por esta intenção e apelando a que “cada cristão deste grande continente experimente o toque salutar do amor misericordioso de Deus e a Igreja em África se torne «lugar de autêntica reconciliação para todos, graças ao testemunho dado por seus filhos e filhas»”. (Discurso na Esplanada da Cimangola)
Unimo-nos ao pedido do Santo Padre e solicitamos a todos que rezem pelo Sínodo. Auguramos também que os temas dos debates sinodais sobre justiça, reconciliação e paz em África, sejam objecto de estudo e de reflexão nas Dioceses, paróquias e movimentos de apostolado, segundo o programa elaborado por cada Diocese. Com efeito, somente desta forma participativa a todos os níveis, o Sínodo será verdadeiramente expressão viva da Igreja em África.
Em comunhão com toda a Igreja, rezemos:
Santa Maria, Mãe de Deus, Protectora de África,
tu oferecestes ao mundo a verdadeira Luz, Jesus Cristo.
Pela tua obediência ao Pai e pela graça do Espírito Santo
tu nos deste a fonte da nossa reconciliação e da nossa justiça,
Jesus Cristo, nossa paz e nossa alegria.
Mãe de ternura e sabedoria,
mostra-nos Jesus, teu Filho e Filho de Deus,
ilumina o nosso caminho de conversão
para que Jesus faça brilhar em nós a sua Glória
em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, familiar e social.
Mãe cheia de Misericórdia e de Justiça,
pela tua docilidade ao Espírito Consolador,
concede-nos a graça de sermos testemunhas
do Senhor Ressuscitado,
para que sejamos cada vez mais sal da terra e luz do mundo.
Mãe do Perpétuo Socorro,
à tua intercessão materna confiamos a preparação
e os frutos do Segundo Sínodo para África.
“Rainha da Paz, rogai por nós!
Nossa senhora de África, rogai por nós!”
Luanda, 30 de Março de 2009
Os Bispos da CEAST
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